Depois do labor, o banho quente

enrugava minha pele até o mais caído dos dedos.

Desciam as lamúrias de um dia falador demais,

o ralo as tinha enjauladas.

Longe de mim estavam minhas próprias culpas e desculpas,

a liberdade de um jovem defasado.

Depois do banho, a cama,

pomar para onde ia minha liberdade passeante.

Bosque fresco,

onde minha pele juntava suas fragrâncias de qualquer noite.

Depois da cama, a tela branca, luminosa,

Me dava as cores que eu pedia.

Letras confusas, coisas de jovem que pensa demais.

Uma hora vem a contar, que na vida tudo é letra, palavra, rabisco.

Depois da tela, das letras, das cores, o espetáculo nos meus olhos

Projeção de vidas, diversidade e emoção.

Entreter-se hoje em dia custa caro.

E fui na onda do olhar, sentindo e vivendo o susto do espetáculo encenado.

Mais tarde, iam meus sonhos me velar

Depois do espetáculo,

Findava mais um dia numa ida e volta seca.

Meus olhos dançavam o molejo de todas as noites,

Fecham-se, Matutos!

Era o confim da minha hora sagrada de cada dia.

Henrique Santos

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